INSEGURANÇA
junho 10, 2008
umseremevolucao
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INSEGURANÇA
A cada dia, o mundo nos cobra mais decisões.
Muitas vezes uma decisão que, à primeira vista, nos parece pequena e simples, pode mudar nossa vida.
A importância cada vez maior das menores decisões nos torna impotentes, indecisos e principalmente inseguros, pois a cada minuto temos nosso futuro em nossas mãos.
Estou desanimada e insegura porque está chovendo e eu não tenho coragem de sair, todos vão me ver molhada por causa da chuva… Estou insegura o bastante porque tenho contas a pagar… Eu me sinto insegura porque não consigo emprego e porque não tenho dinheiro… Sou insegura porque não tenho a aparência que gostaria de ter… Sinto-me insegura porque ainda não fui valorizada profissionalmente… Sou insegura porque ainda não encontrei o amor da minha vida… Estou insegura porque a pessoa que quero não me quer… Porque isso… Porque aquilo…
É assim que os inseguros agem na maioria das vezes. Esses são alguns dos conflitos que ouço diariamente quando atendo meus pacientes em meu consultório.
Os conflitos causam insegurança, medo e separações desnecessárias.
Os altos e baixos, as doenças, as confusões, as lutas e a infelicidade que às vezes vivenciamos fazem parte de nossa existência.
Nosso conflito interior e exterior surge por obra de valores cambiantes e contraditórios, baseados no prazer e na dor. A causa de nossa luta é procurarmos descobrir um valor que seja inteiramente satisfatório, invariável e não perturbador; procuramos um valor permanente que proporcione pensamento sem vestígios de dúvida ou de dor. Nossa luta constante baseia-se nesta exigência de segurança permanente: queremos segurança nas coisas e nas relações, sejam elas afetivas, familiares ou profissionais.
Sem se compreender o problema da insegurança, não é possível a segurança. Se buscarmos segurança, não a encontraremos; a busca da segurança acarreta a destruição da própria segurança. É necessária a insegurança para a compreensão da realidade, mas uma insegurança que não seja o oposto da segurança. Uma mente bem ancorada, uma mente que se sinta segura em algum refúgio, jamais pode compreender a realidade. O desejo de segurança gera a indolência, tornando a mente-coração inflexível e insensível e impedindo o estar acessível à realidade. Na profunda insegurança é nos dada a percepção da Verdade.
Porém, necessitamos de uma certa segurança para vivermos: alimento, vestuário e morada - sem isso não é possível a existência. Seria relativamente simples organizar e distribuir eficientemente os recursos necessários à vida, se ficássemos satisfeitos apenas com o provimento de nossas necessidades fundamentais de cada dia. Não haveria egoísmo nem nacionalismo; não haveria expansão competitória nem crueldade; não haveria necessidade de governos soberanos separados; não haveria guerras se ficássemos inteiramente satisfeitos com o provimento de nossas necessidades diárias. Entretanto, assim não o é.
No entanto, por que não é possível organizar os meios de atender às nossas necessidades? Não é possível em virtude do conflito incessante de nossa vida cotidiana, com sua avidez, sua crueldade e seus rancores. Não é possível porque nos valemos de nossas necessidades como meios para satisfação de nossas exigências psicológicas. Não é possível porque interiormente somos estéreis, vãos, destrutivos, servimo-nos de nossas necessidades como meio de fuga. E assumem elas, por isso, importância muito maior do que realmente têm. Tornam-se, psicologicamente, de suma importância. Os valores mundanos ganham, assim, enorme significado. A propriedade, o nome e o talento tornam-se meios para se galgarem posições, para se alcançar o poder e a dominação.
Relativamente às coisas feitas pela mão ou pela mente, vivemos em perene conflito; por esse motivo, a elaboração de planos econômicos para a existência converte-se no problema predominante. Desejamos coisas que criem a ilusão de segurança e conforto, mas que apenas nos trazem conflito, confusão e antagonismos. Perdemos, na segurança das coisas produzidas pelo intelecto, aquela felicidade da Realidade criadora, cuja natureza intrínseca é a insegurança. A mente que busca a segurança vive em perene temor: jamais tem alegria, jamais experimenta o estado de potência criadora. A forma suprema do pensar-sentir é a compreensão negativa, e a sua verdadeira base, a insegurança.
Todo mundo tem um pouco de insegurança, temos apenas de perceber o quanto isto passa do normal para a insegurança anormal, aí então precisamos de ajuda psicanalítica.
Todo mundo tem medo de perder o amor da mãe, do pai, do filho, dos amigos, do companheiro. Todo mundo tem medo de perder o emprego, de se achar dispensável a qualquer momento, mesmo que sua competência profissional seja pública e notória…
A insegurança está lá, latente, correndo pelo sangue, amedrontando o dia-a-dia.
Quando essas inseguranças inerentes à espécie humana tornam-se exageradas, é necessário parar para pensar e, em uma atitude saudável, pedir ajuda.
Da onde vem a insegurança?
As sensações de segurança e de insegurança fazem parte da constituição do psiquismo e vai depender das vivências de satisfação e frustração que o bebê recebe ainda no ventre da mãe e das cargas emocionais que tem relação com o meio-ambiente.
A mãe passa a insegurança para o bebê muito antes de ele nascer. Quem sabe se a mãe não atendeu a criança como devia, deixando-a sob ameaça de maus cuidados, e ela se sentiu inseguro(a), mal cuidado(a), mal amado(a)? Talvez, na infância, você tenha se sentido responsável pelas frustrações que sofreu. Afinal, toda criança é auto-referente, julga-se culpada e isto fica registrado em seu inconsciente que, com o passar dos anos, vai ser desenvolvido nos acontecimentos de sua vida, gerando insatisfações, insegurança, medos e muitos outros sintomas emocionais.
Se a criança foi mais satisfeita do que frustrada, ela vai ter as inseguranças comuns de todos, algumas delas até saudáveis, como, por exemplo, o medo diante de situações reais de perigo.
Porém, se ela foi mais frustrada do que satisfeita, vai se sentir ameaçada, vai sentir que não tem o bastante, talvez (e esse é o maior perigo!) porque não o mereça!
Cada um deve avaliar a intensidade de suas inseguranças. Se elas estiverem causando grande sofrimento ou impedindo um relacionamento amoroso satisfatório, não tenha dúvidas: procure ajuda de um terapeuta psicanalista!
A fase gestacional é a mais importante da vida do ser humano. É daí que vêm todas as sensações emocionais, todos os equilíbrios e os desequilíbrios que se desenvolverão no decorrer dos anos de sua existência.
A insegurança emocional afetiva afeta muitos casais e é muito comum nos dias de hoje. A desarmonia prevalece por causa desse sentimento emocional.
De repente, surge aquela estranha aflição. Parece que tudo vai bem, vocês se encontram sempre, é bom, gostoso e gratificante, mas lá no fundo há um certo medo de não ser realmente amado(a) e que, talvez, tudo se acabe.
Quem sabe uma outra pessoa mais interessante aparecerá no caminho do(a) parceiro(a)?
Esta sensação de estar sob ameaça constante se chama insegurança. Não se trata de se sentir ameaçado(a) em uma rua escura e deserta de uma cidade perigosa. Este é um perigo real.
A insegurança emocional nem sempre reflete a realidade. Ela se caracteriza por um sentimento de inferioridade, de quem não se acha digno de ser amado(a), de que não é possível que alguém ame uma pessoa tão comum e sem atrativos.
A pessoa insegura pensa que certamente surgirá alguém melhor do que ela para seu parceiro. Ou que talvez já exista, tentando roubá-lo de si.
Por não acreditar em si mesmo, o(a) inseguro(a) tem a impressão de que, a qualquer momento, perderá o ser amado.
O relacionamento com um(a) parceiro(a) inseguro(a)
Para começar, o parceiro(a) de uma pessoa insegura deve ter muita paciência.
Ele deve ser, além de parceiro(a), uma espécie de mãe(pai), sempre disponível para levantar o astral do outro, acolher suas inseguranças e mostrar o quanto ele merece ser amado. Fora isso, deve compreender e perdoar os exageros e atitudes insanas, fazendo-o entender que necessita de ajuda psicanalítica, pois seus comportamentos e atitudes não são normais.
O problema é que nem sempre o parceiro(a) quer ficar nesse lugar de mãe(pai) de um bebê chorão. Ele quer um companheiro(a) maduro(a) com quem possa se relacionar, trocar afeto e se complementar como ser humano.
O inseguro deve tentar conter esses impulsos infantis, senão ficará cada vez mais abandonado, porque, sem limites, a convivência com o parceiro(a) se tornará, aos poucos, insuportável. E, se não resultar em separação, será sem dúvida um cotidiano de muito sofrimento.
Não se deixe levar pela insegurança se seu parceiro(a) conhecer outras pessoas atraentes e mantiver um relacionamento de amizade com elas. Lembre-se de que ninguém poderá substituí-lo(a), pois você é único(a) e especial. Foi você quem ele(a) escolheu para estarem juntos nesse momento.
· Você acha que há muito mais gente interessante do que você e seu(sua) parceiro(a) facilmente perceberá isso?
· Você acha que, no seu trabalho, qualquer um poderia fazer melhor do que você?
· Você se irrita quando seu(sua) parceiro(a) faz algo de muito extraordinário e você se sente inferior?
· Você acha que tem medo de ficar sozinho(a)?
· Você sente que algo de ruim pode acontecer a qualquer momento?
Você se encaixa em algumas ou em todas estas frases que eu disse anteriormente? Então, com certeza se sente uma pessoa emocionalmente insegura. É bom começar a pensar em como ganhar um pouco mais de segurança, determinação e auto-estima, procurando ajuda psicanalítica.
O homem inseguro
O homem inseguro tem uma forte sensação de ser incapaz. Ele procurará uma profissão que esteja abaixo de suas capacidades para poder sentir segurança de que poderá cumprir suas tarefas. Talvez ele pudesse fazer muito mais, mas, por insegurança, prefere o caminho mais firme das coisas mais fáceis. Ele jamais vai se aproximar de uma mulher muito bonita, bem-sucedida e desejada.
O inseguro vai desejá-la, mas jamais se sentirá à altura para poder conquistá-la. E, mesmo se ela se interessar por ele, ele não acreditará nesta possibilidade. Tentará uma desculpa para afastar-se. Vai procurar outra menos favorecida com quem ele se sinta mais à vontade. Ao lado de uma mulher exuberante, sua baixa auto-estima, sua pequenez, se agravará e se tornará insuportável.
O homem inseguro vive com ciúme e até mesmo com inveja, muitas vezes disfarçando esse sentimento e aparentando uma falsa indiferença pela mulher. No fundo, porém, ele se acha inferior a ela e teme que ela arranje outro melhor do que ele.
A mulher insegura
A insegurança feminina tem origem no medo de não ser amada e pode afetar tragicamente sua estrutura emocional.
Por não se achar digna de amor, a mulher pode fazer tudo para conquistar pequenas provas de afeição e se transformar em uma escrava.
Só que homem nenhum ama uma escrava, apenas a escraviza. Ela vai gastar todas as suas energias fazendo sacrifícios e as provas de amor não virão a contento.
A mulher insegura põe em dúvida até sua condição feminina. Pode achar o fato de ser mulher uma desvantagem e, assim, viver desconfortavelmente neste sexo. Vai tentar agir com a coragem dos homens, embora seja uma mulher frágil, insegura e carente. Não vai convencer nem a si mesma, muito menos ao seu objeto amoroso.
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