Archive for junho 6th, 2008




Quando as crianças não desenvolvem na infância estas habilidades e competências sócio-emocionais, podem tornar-se adultos insensíveis e indiferentes à dor e ao sofrimento alheios, inclusive quando estes são causados por si mesmo.

Hoje em dia sabemos que, desde pequenas, as crianças são capazes de sentir todas as emoções de um adulto, só que ainda não sabem como percebê-las, rotulá-las, compreendê-las, nem regulá-las. Tudo isto precisa de ser aprendido.

Durante muito tempo, as emoções, nas escolas, ficaram da soleira da porta para o lado de fora. O conceito de inteligência emocional ainda não existia e, como as questões emocionais também não eram, normalmente, abordadas na educação doméstica, as pessoas tinham que aprender a lidar com as suas emoções como podiam, ou não podiam. Assim, na falta de uma educação emocional explícita, elas lutavam na escuridão, contra si mesmas, como dizem Berrocal e Ramos (2001), produzindo geração após geração de “analfabetos emocionais” - a minha inclusive.
Ser inteligente, na sociedade ocidental, desde então, passou a ser considerada uma propriedade da razão, como, por exemplo, distinguir-se no domínio das línguas clássicas, do raciocínio matemático, das ciências ou da filosofia. A partir das contribuições de Alfred Binet, já no século passado, iniciou-se um intenso esforço para medir esta suposta faculdade unidimensional, através da pontuação obtida em testes de capacidade cognitiva, como os de QI.
Reações emocionais inteligentes precisam de ser aprendidas com o auxílio de outros e pela prática e exercício continuados, não somente por preceito e instrução verbal. As crianças precisam de modelos, exemplos e de intervenções pedagógicas para aprenderem a lidar com suas próprias emoções. Isto deve ser feito não só em casa, como também na escola. Como educadores, devemos estar atentos às situações que favorecem esta aprendizagem.

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“O medo se manifesta de maneira diferenciada no homem e na mulher”.

Nas últimas décadas, presenciamos cada vez mais a participação feminina (cerca de 95%) na educação das crianças, desde o nascimento até o término do ensino fundamental I (dez anos).  A mãe, a tia, a babá, a avó e a vizinha/amiga cuidando das crianças. A presença do pai ou do homem é muito pequena ou quase total na participação do desenvolvimento infantil. Se o cérebro do menino é diferente da menina, então é fundamental que a presença dos homens no desenvolvimento infantil seja levada em consideração, desde a pré-escola. Onde estão os educadores físicos do sexo masculino?

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Educando o cérebro emocional

Desde o útero o feto recebe vários estímulos internos e externos que influenciam o organismo. Esta relação é inerente à sobrevivência, pois se o feto/organismo não responder de forma adequada, o desenvolvimento cerebral pode ser prejudicado.

Ao nascer, o primeiro estímulo/”choque” que o bebê recebe é a luz, mas logo se adapta ao novo mundo. A partir desse momento, nos próximos anos, o medo é um dos aspectos emocionais mais importantes no desenvolvimento cerebral.

Há 6 tipos de emoções básicas em humanos: medo, alegria, tristeza, raiva, nojo e surpresa. A partir dessas emoções, construímos variações/combinações para expressarmos os nossos sentimentos. E desde que nascemos já manifestamos essas emoções básicas, fundamentais à sobrevivência.

“O medo é um dos aspectos emocionais mais importantes no desenvolvimento cerebral”.

O bebê/a criança a medida que vai crescendo e tomando mais consciência sobre a realidade, o grau/intensidade dos aspectos emocionais vai se moldando à realidade, principalmente em relação aos adultos que convivem juntos. É nesse período que as crianças mais precisam da educação emocional, pois está relacionada à sobrevivência: segurança/conforto, alimentação e sono.

 O medo se manifesta de maneira diferenciada no homem e na mulher. A criança, então, vai perceber que há diferença emocional do homem/pai em relação a uma mulher/mãe, porém o aprendizado emocional será influenciado muito mais por uma educadora. Por outro lado, um estudo mostrou que na educação emocional, o importante é que o responsável pela educação da criança seja emocionalmente e socialmente “equilibrado”, independentemente do gênero. Se desempenharmos bem o papel na educação emocional e social durante o desenvolvimento infantil, as diferenças comportamentais serão pequenas.

Assim, o medo e a ansiedade caminham juntos, são sinônimos, mas com manifestações comportamentais diferentes. A diferença de um para o outro é que, geralmente, quando você sente medo, sabe o que está te assustando. Enquanto que a ansiedade não nos leva a consciência da causa.

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Como desenvolver a educação emocional em um ser humano

Os educadores precisam aprender como trabalhar com o Ser integral: corpo, mente e espírito. Há uma enorme diferença entre educar, visando à aquisição de emprego produtivo e educar para ajudar as pessoas a crescerem como seres humanos.

A violência que presenciamos atualmente em escolas, representa uma reação á falta de uma base humana conectada a algo que proporcione um significado de vida mais profundo. É de vital importância estimular característica da personalidade criativa em pessoas de todas as idades.
Uma personalidade criativa é corajosa, comprometida com seu projeto criativo, é auto-motivada e inovadora.
Os educadores de arte, segundo Susan, têm um papel vital a desenvolver, ensinando novos valores às crianças – a geração do futuro. 
 
Podemos desenvolver talentos inatos da vida emocional, imaginação, inteligência criativa, inteligência simbólica, inspiração e assim por diante.
Na educação das crianças no mundo de hoje, o fato de oferecer-lhes essa maneira de expressar a variedade de meios de conhecimento interior somados ao pensamento racional linear, é um método preventivo de saúde mental e equilíbrio. Cada indivíduo é único. Esse método de pintura permite que nossa natureza essencial que se encontra no inconsciente do indivíduo se fortaleça.

 

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A importância da Educação Emocional na Infância

 
Quando as crianças não desenvolvem na infância estas habilidades e competências sócio-emocionais, podem tornar-se adultos insensíveis e indiferentes à dor e ao sofrimento alheios, inclusive quando estes são causados por si mesmo.
Hoje em dia sabemos que, desde pequenas, as crianças são capazes de sentir todas as emoções de um adulto, só que ainda não sabem como percebê-las, rotulá-las, compreendê-las, nem regulá-las. Tudo isto precisa de ser aprendido.

Durante muito tempo, as emoções, nas escolas, ficaram da soleira da porta para o lado de fora. O conceito de inteligência emocional ainda não existia e, como as questões emocionais também não eram, normalmente, abordadas na educação doméstica, as pessoas tinham que aprender a lidar com as suas emoções como podiam, ou não podiam. Assim, na falta de uma educação emocional explícita, elas lutavam na escuridão, contra si mesmas, como dizem Berrocal e Ramos (2001), produzindo geração após geração de “analfabetos emocionais” - a minha inclusive.

Durante vários séculos, a ideia prevalecente era que somos humanos porque pensamos, não porque sentimos. Esta noção ganhou notoriedade, sobretudo a partir do século XVII, quando René Descartes publicou, em 1637, o livro Discours de la Méthode. Nesta obra, o matemático e filósofo francês afirmava “Puisque je doute, je pense; puisque je pense, j’existe” e, em outro momento, “je pense, donc je suis“, frase que, quando a obra foi traduzida, posteriormente, para o latim, deu origem ao famoso axioma cogito ergo sum.

Ser inteligente, na sociedade ocidental, desde então, passou a ser considerada uma propriedade da razão, como, por exemplo, distinguir-se no domínio das línguas clássicas, do raciocínio matemático, das ciências ou da filosofia. A partir das contribuições de Alfred Binet, já no século passado, iniciou-se um intenso esforço para medir esta suposta faculdade unidimensional, através da pontuação obtida em testes de capacidade cognitiva, como os de QI.

Contudo, tais noções começaram a ruir, pouco antes do início do século XXI, pois tornou-se cada vez mais óbvio que a inteligência académica não era suficiente, nem para garantir êxito na vida profissional, nem felicidade na vida quotidiana. Impelidos por estas constatações, os teóricos começaram a considerar outros ideais e modelos de pessoa, diferentes do puramente racionalista, até então dominante na ciência e nas sociedades pós-cartesianas (Pacheco e Berrocal, 2001).

Os dois temas sobre os quais pretendo debruçar-me nesta breve reflexão são como se aprende a regular as emoções e qual é o papel da escola nesta aprendizagem. Antes de mais, é necessário esclarecer o que se entende por regular. Embora seja comum pensar que a regulação das experiências emocionais diga respeito, somente, à atenuação de emoções ditas negativas, o termo também se refere às emoções positivas, tanto no que tange a atenuá-las, quanto intensificá-las. Tratando-se do fenómeno emocional, a palavra regulação é utilizada em psicologia para designar os diversos processos, cuja função é modificar, em algum sentido, seja atenuando, intensificando ou transformando, tanto a experiência interior subjectiva, quanto a expressão de qualquer tipo de emoção (Etxebarria, 2001).

Ora, para poder aprender a regular as suas próprias emoções é necessário, antes, que a criança aprenda os passos precursores essenciais de perceber, identificar, rotular e compreender os seus eventos emocionais. A capacidade de perceber é inata, mas precisa de ser amadurecida. As de identificar, rotular e compreender, ao contrário, são organizadas, pouco a pouco, na interacção social. Não sendo, portanto, naturais, precisam de ser aprendidas. E, refira-se de passagem, trata-se de uma aprendizagem que demora muitos anos a processar.

O que permite o desenvolvimento de uma consciência emocional é o exercício continuado de tentar descrever as emoções sentidas, expressando-as por meio de palavras e do uso de etiquetas ou rótulos verbais precisos. É fundamental ser capaz de identificar as próprias emoções para entendê-las e para, só depois, conseguir entender as dos outros. Só quando se consegue avaliar com exactidão o que os outros sentem é que se pode reagir de forma solidária. Daí se conclui, portanto, que não se pode pretender ensinar solidariedade, sem antes educar emocionalmente.

Quando as crianças não desenvolvem na infância estas habilidades e competências socioemocionais, podem tornar-se adultos insensíveis e indiferentes à dor e ao sofrimento alheios, inclusive quando estes são causados por si mesmo. Por isso, a educação emocional e a educação de valores são importantes, desde a infância, para promover o desenvolvimento de uma personalidade socialmente equilibrada.

Da mesma forma que valores e atitudes são aprendidos em situações concretas, e não teoricamente, também assim é com a regulação eficaz das próprias emoções. Grande parte desta aprendizagem ocorre conscientemente, ou inconscientemente, por imitação dos adultos. Um problema sério, já que a expressão da raiva é, muitas vezes, a única modalidade de emoção que as crianças vêem os adultos à sua volta expressar. Pior ainda é quando esta é expressa em conflitos irreflectidos e, por vezes, até violentos. E o que dizer dos modelos que são bombardeados continuamente pelos media?

Reações emocionais inteligentes precisam de ser aprendidas com o auxílio de outros e pela prática e exercício continuados, não somente por preceito e instrução verbal. As crianças precisam de modelos, exemplos e de intervenções pedagógicas para aprenderem a lidar com suas próprias emoções. Isto deve ser feito não só em casa, como também na escola. Como educadores, devemos estar atentos às situações que favorecem esta aprendizagem.

A educação emocional é um desafio da escola no século XXI.

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